Jornal do Comércio “Azeite da Prosperato figura entre os melhores do mundo”

Empresa é a única brasileira no Ranking Mundial dos Azeites Extravirgens de 2017

Guilherme Daroit

A improvável trajetória do azeite Prosperato, iniciada em 2011 no canto de um viveiro da Tecnoplanta, em Barra do Ribeiro, atingiu um novo ápice na virada do ano, com a publicação do Ranking Mundial dos Azeites Extravirgens (Evoowr, na sigla em inglês). O ranking, compilação dos prêmios distribuídos pelo mundo em 2017, colocou o Prosperato Premium como o 83º melhor azeite do mundo, único brasileiro na lista de 253 produtos.

Braço de uma das maiores empresas de mudas para florestas do País, com quase 1,3 mil funcionários, a Prosperato ainda não chega a 10% do faturamento da Tecnoplanta. “Em energia, porém, colocamos muito mais nas oliveiras. Ficamos o dia todo falando sobre isso, que é uma coisa apaixonante”, comenta um dos sócios-diretores da empresa, Rafael Marchetti.

Filho de um dos fundadores da empresa, Marchetti entrou na Tecnoplanta no mesmo ano em que o novo negócio surgiu como alternativa em período de baixa na indústria florestal. Hoje, aos 24 anos de idade, Marchetti é quase um espelho da própria olivicultura gaúcha: jovem e em constante especialização, dedicando-se a cursos em extração e análise sensorial de azeites em países como Estados Unidos e Espanha.

Empresas & Negócios – Como receberam a notícia do Evoowr?

Rafael Marchetti – Para nós, com pouco tempo de produção (o primeiro azeite comercial é de 2013), ficar acima de gente que está há muito mais tempo na cultura é algo que incentiva. Normalmente, os azeites europeus buscam prêmios para vender ao mercado externo, para países que não são produtores e podem pagar bastante. Já nós, aqui no Brasil, somos grandes consumidores, então, no nosso caso, serve muito mais para convencer o brasileiro de que o produto daqui é de qualidade.

Empresas & Negócios – Mesmo sendo algo novo, o mercado já reconhece o azeite nacional?

Marchetti – No início, havia uma certa dificuldade, porque, como o azeite é brasileiro, o consumidor tendia a achar que tinha que ser mais barato do que o importado. Pensávamos em como iríamos competir com azeites que o consumidor pega e pensa “bah, vou levar um italiano!”, que tem essa sensação de que o que é de fora é melhor. Tinha um receio, mas, conforme fomos estudando, vimos que há um abismo entre azeite de qualidade e o azeite comum, disponível nas grandes redes. O grande lance do azeite brasileiro, que nenhum importado jamais vai ter, porque nunca vai estar mais perto do que nós, é o frescor. O custo para importar um azeite de forma adequada da Europa é muito alto. É muito mais viável, para quem quer consumir um azeite de padrão internacional, ter a produção a mais próxima possível do consumo. Até por isso, nosso maior canal de vendas é o direto ao público, no lagar (onde é feita a extração, em Caçapava do Sul). As pessoas gostam da sensação de ir lá e buscar direto na fonte.

Empresas & Negócios – A importância do frescor é diferente do caso do vinho?

Marchetti – No início, a gente também achava que azeite era uma coisa que deixava na prateleira. Pelo contrário. Azeite nada mais é que um suco de azeitona, que até é um termo que vem ganhando espaço no exterior, para as pessoas perceberem que é o produto de uma fruta, não é de um grão. É um processo muito mais natural, que, por não envolver químicos, tem uma validade mais curta. Quanto mais rápido consumir, mais vai aproveitar os benefícios naturais da azeitona, e esse é o maior diferencial para a pessoa que vai investir em um produto que é certo que vai trazer benefícios para a saúde.

Empresas & Negócios – Há como competir com o importado no varejo?

Marchetti – Não se compete, primeiro pelo preço, mas também por quantidade. Nos perguntam em qual supermercado estamos, mas temos um produto de baixa escala. É uma coisa muito nova, e o consumidor tem que entender que vai ser encontrado em loja especializada, ou direto com o produtor. As pessoas, aos poucos, acredito e espero, começam a entender o azeite daqui como aconteceu com o vinho, que nem se falava em variedade de uva há pouco tempo. Chegam até nós comentando que nem sabiam que existia mais de uma variedade de azeitona, acham que a do azeite é a mesma da conserva.

Empresas & Negócios – Pensam em expandir a produção?

Marchetti – Agora, com os olivais envelhecendo, cada ano produzem mais. Temos um com 13 anos, mas os outros todos não chegam a 8 anos. Aos poucos, esperamos que o consumidor entenda que é um produto sazonal. Colho anualmente e preciso vender o mais rápido possível, então, enquanto tiver o azeite, eu tenho. É muito difícil ainda de explicar, porque, na memória das pessoas, elas vão no supermercado e as marcas A, B e C estão lá todos os dias do ano. Já as frutas, você sabe que uma época vai ter pêssego para vender, e em outra não. Não é nada anormal, na Europa também o produtor pequeno passa pela mesma situação. Fechamos o ano com 300 hectares próprios, em Caçapava do Sul e São Sepé, e também em Barra do Ribeiro e Sentinela do Sul, que é o plantio mais recente. Isso foi algo que a empresa decidiu fazer, muito pela questão climática e menos pela logística, porque fica complicado de trabalhar com áreas distantes assim. Mas é o que tem nos salvado a manter o produto no mercado.

Empresas & Negócios – Qual a expectativa para este ano?

Marchetti – Neste ano tivemos um inverno quente e um frio fora de época, que confundiu as plantas. Esperamos uma produção menor que a do ano passado, por conta do clima, e vai se repetir o caso, que é a falta de produto da nossa parte. Em 2017, começamos a vender em março, e o azeite terminou em outubro, com um volume considerável, cerca de 13 mil litros de azeite. Para este ano, é difícil prever, porque não temos uma análise química das frutas para saber o rendimento. Mas acredito que vamos ficar em torno de 10 mil litros, que é uma produção ainda muito baixa pela demanda.

Empresas & Negócios – Há uma cadeia que permita comprar azeitona de outros produtores?

Marchetti – Compramos a fruta de alguns que queiram vender, mas não são todos. Em geral, o pequeno produtor pega a sua fruta e leva na nossa extração para fazer o beneficiamento. Ele quer ter as garrafas de azeite dele, e nós fazemos esse serviço. Isso é bem interessante porque multiplica as marcas. No ano passado, na Expointer, tínhamos 18 marcas expostas, e nove delas que fizemos. E como neste ano teve esse problema climático, muitos talvez nem tenham produção. Mas é agricultura, é um tiro no escuro, depende de fatores que fogem do controle.

Empresas & Negócios – Ainda existe muita gente entrando na olivicultura?

Marchetti – A procura tem sido alta, medimos por aqui, porque temos um modelo de negócio em que vendemos as mudas, fazemos o plantio e entregamos a área para os clientes como se fosse nossa. Mas alguns ainda entram com muita ansiedade. Temos sido cautelosos de explicar que é uma cultura de longo prazo, não vai começar a produzir logo, nem produzir igual todos os anos. A oliveira não é assim. Em qualquer lugar do mundo ela é demorada, leva tempo para atingir uma fase adulta e o negócio se tornar mais rentável. Aqui elas dão os primeiros frutos com 3 ou 4 anos, mas não é uma produção comercial ainda. Leva tempo, mas lá adiante é recompensador.

Link: http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2018/02/cadernos/empresas_e_negocios/611314-azeite-da-prosperato-figura-entre-os-melhores-do-mundo.html

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